comportamento

Pobre ter plano de saúde é ofensa para a elite

Vou aqui mais uma vez, engatar um texto sobre um outro texto, sim porque se ta na moda ter liberdade de expressão (essa liberdade de expressão que atormenta quem já não é favorecido) eu também quero ter a minha em criticar gente com sentimento de superioridade elitista demente que ainda pensa que manda no Brasil.

Deixo aqui as imagens do texto de uma senhora que é jornalista do Jornal O Globo (diga-se de passagem é uma vergonha) sobre o pobre e o plano de saúde, mas uma vez vou em repetir em dizer que essas pessoas quando questionadas alegam humor e direito de expressão…. tis tis tis

12

Sou obrigada a atribuir esses ataques frequentes, a “pobres”, nordestinos e negros ao desespero da elite sobre essa nova classe media que surge usufruindo do direito de poder frequentar um laboratório medico, as faculdades, os restaurantes e shoppings, percebo que tudo isso não é chick para o pobre e sim para a elite que cita essas idas e vindas com tanta empolgação que seria quase como conhecer Deus e poder tirar um selfie com ele.
Bizarro demais não acham? 

Se tem uma coisa que rico de meia tigela (e os de uma tigela inteira) gostam é de ver o pobre frequentando os espaços que antes era domínio deles, particularmente nunca vi um pobre se arrumando para ir fazer exame ou de dar tanta importaria a isso, ninguém gosta de estar doente, mas sou obrigada a considerar que pobre tem mais problema de pressão alta mesmo e não porque hipertensão esteja na moda, mas é que a gente tem que aturar sujeitinho metido a merda falando besteira desse tipo que ela disse quase sempre e respirar fundo para não tacar a mão na cara, nós trabalhamos mais, muito mais que a elite ( se bem me lembro trabalhamos para enriquecer a elite) e ainda temos que cuidar da família, temos que nos preocupar em ajudar os mais pobre que nós, porque ser pobre com plano de saúde ta beleza, pior mesmo é ser pobre sem casa esperando pela sopa e cobertor quentinho que um outro pobre que teve mais oportunidade na vida se dedica a ir levar.
Como não ser hipertenso?

Só vivenciando a vida de um pobre para saber como é, nós compramos roupas bonitas que usamos para ir na clinica, as vezes porque falta tempo de usar elas para ir em festas pobre não é desocupado pra ficar sentado atras de uma cadeira escrevendo tanta merda como essa senhora “muito bem humorada” fez e ainda ser pago por isso, esse senso de dominação, essa sensação de estar perdendo espaço, de não estar sendo mais a rainha da clinica privada, assustou a moça de uma maneira tão profunda que olha o que anos de estudo e dinheiro no bolso fizeram pra ela… transformou-a num grande nada, um saco bem vestido de cabeça oca e coração cheio de amargura.

Vou parar de escrever tenho exames para fazer, deixar muita gente irritada sendo preta, pobre, nordestina, gorda, lésbica, candomblecista e assegurada de um plano de saúde.

Bjo da Gorda Milly Costa

Anúncios

Raspei Minha Cabeça – Thais Santos Moya

As vezes a gente fica assim meio perdida, quando o assunto é violência contra mulher, usei a gente, mas de fato não sei todas e todos sentem o mesmo afinal o machismo é tão normal e comum no mundo que a maioria das pessoas transforma a vitima em agressor, mas sei lá né eu achava que mulher deveria se unir o que infelizmente não acontece e isso assusta mais que o próprio machismo, a falta de união entre as mulheres essa acusação, essa concorrência que foi construída em que as mulheres preferem julgar umas as ouras para quem se adequar mais sair ganhando mesmo que isso custe humilhar outra mulher e sabendo que farão o mesmo com você na primeira oportunidade……. é mesmo de dar medo.

Nesse momento não quero falar do Bolsonaro e sua atual demonstração de perversidade disfarçada de religiosidade, e nem dos números sobre o machismo no brasil divulgados pela pesquisa, quero falar de algo mais real, mais dia a dia, porque é desse dia a dia que se forma o resultado das pesquisas e que da oportunidade do Bolsonaro permanecer em seu gargo politico.

Quero que vocês leiam atentamente o texto aqui em baixo, que vejam o que o machismo tem feito com as mulheres desse país, mas que vejam principalmente que se todas temos biotipos femininos sejamos nós mulheres biológicas ou trans estamos sujeitas a passar por isso, então acho que ler esses depoimentos, vai abrindo os olhos, mesmo que pouco a pouco, vai tornando mais claro, que se você mulher apoia o machismo você pode ser a próxima vitima….

10420374_747500732009590_8300747869187455323_n

Raspei minha cabeça como forma de protesto.
Raspei meus cabelos porque eu fui, duas vezes, agarrada e beijada por meu professor e (ex) orientador sem o meu consentimento.
Raspei a cabeça porque, como quase toda vítima de assédio, passei dois anos amedrontada e coagida pelas relações de poder que perpassam as consequências de denunciar o ocorrido. Senti-me responsável não apenas pela minha carreiraprofissional, mas pela do professor em questão e pelas consequências negativas que recairiam no Programa de Pós Graduação e nos colegas do núcleo de estudos.Calei-me, acovardada.
Raspei meus cabelos porque, depois de ser agarrada pelo professor e recusar, ele progressivamente me tirou dos projetos do núcleo de estudos que ele coordena, dizendo em uma ocasião que sou “uma franga sem doutorado, que precisa colocar o rabo entre as pernas, parar de enfrentar professor doutor e aprender a jogar o jogo da academia, caso eu queira mesmo continuar nela”. Além de em nada orientar minha pesquisa.
Raspei minha cabeça porque a coordenação elaborou um survey para as/os estudantes avaliarem o Programa. Tal survey foi apresentado como anônimo e vi nele a única oportunidade segura de relatar os assédios que sofri e também aqueles que testemunhei. No entanto, a coordenação do programa divulgou as respostas abertas do survey para todas/os estudantes.
Raspei meus cabelos porque um grupo de estudantes leu os relatos de assédios e se mobilizou, escrevendo uma carta para as/os docentes (CPG), reivindicando uma posição delas/es, principalmente, porque elas/es haviam ignorado por completo os relatos. Boa parte dos/as docentes ficou muito irritada e começou coagir seus orientandos com intuito de desmobilizar o processo de reivindicação em curso.
Raspei minha cabeça porque a coordenadora do Programa postou no seu facebook que os estudantes estavam “criminalizando a expressão sensual”.
Raspei meus cabelos porque, ontem, houve uma reunião marcada pelas/os docentes com as/os estudantes. Sem qualquer escrúpulo, a professora, que falava em nome do corpo docente, pronunciou os nomes dos relatados, que até então eram anônimos, e afirmou – baseada em argumentos que apelam para tradição – que meus relatos são mentirosos, pois conhece o professor há 20 anos e, segundo ela, trata-se de um homem comprometido e galante (!!).
Raspei minha cabeça porque as/os docentes exigiram a retirada da carta elaborada pelas/os estudantes, senão processariam judicialmente os representantes discentes. Instauraram um clima de terror e chantagem, que desmobilizou todas/os estudantes presentes.
Raspei meus cabelos porque as/os docentes compararam as/os estudantes aos nazistas, além de insinuar que os professores relatados estavam sendo vítimas de racismo e homofobia, já que se trata de um professor negro e outro gay. Houve uma estratégia sórdida de inverter o cenário, colocando-me como agressora, assim como todas/os estudantes.
Raspei minha cabeça porque cansei de ser assediada, coagida e chantageada.
Raspei meus cabelos porque eu fui publicamente humilhada, ofendida e desrespeitada por docentes que afirmaram que meus relatos de assédios são mentirosos sem nem ao menos me ouvirem pessoal e detalhadamente.
Raspei minha cabeça porque sofri um linchamento moral de um Programa de Pós Graduação que tentei até aqui preservar, tanto seus docentes, quanto discentes.
Raspei meus cabelos porque eu poderia me calar por mais 7 dias e defender meu doutorado sem mais constrangimentos e coações, mas eu me recuso fazer parte dessa lógica opressora que o corpo docente instaurou no Programa. Eu, mesmo com medo de mais retaliações, não me calo mais.
Raspei minha cabeça.
Raspei meus cabelos.
Mas permaneço em pé.
Thais Santos Moya

Aqui vai o link original da Thais :

Um abraço da Gorda Milly Costa

Emagrecer por escolha alheia …

adipositivity

 

 

Me deparei com esse texto compartilhado no Facebook e tinha que traze-lo ao blog, especialmente porque a cobrança sobre emagrecer não para, comigo e com qualquer pessoa que esteja acima do peso…vale a leitura!

 

Eu vou falar uma coisa pra vocês sobre ser gorda e sobre emagrecer que tá há muito tempo engasgado na minha garganta:

Talvez alguém escolha ser gorda, aceite ser gorda e se sinta linda gorda (porque somos mesmo), mas NINGUÉM, PRESTEM BEM ATENÇÃO: NINGUÉM escolhe emagrecer. Eu como feminista, que estava bem com meu corpo há muitos quilos atrás e inclusive com a minha saúde, eu nunca escolhi emagrecer, foram vocês que escolheram por mim, desde criança quando a professora da escola dizia que eu tinha que comer menos no recreio porque se não nenhum menino ia gostar de mim, quando aquela parente que eu não via há muito tempo comentava: ”nossa, seu rosto é tão lindo”, quando aquela amiga da minha mãe dizia pra eu emagrecer pra arranjar um namoradinho (porque mulheres vivem só pra isso), quando aquele menino ficou com a gorda e disse pros amigos que era porque tava bêbado, quando naquela novela a gorda é ridicularizada o tempo todo, quando o banco do ônibus não cabe a gente, ou quando a sociedade usa a carteirada de uma vida saudável por traz da sua gordofobia, mas e se eu mostrasse meu exames e dissesse que tava tudo OK??

Eu não estou fazendo uma apologia ao sedentarismo, ou a falta de saúde mas as pessoas devem poder escolher, nem todo gordo é doente, nem todo magro é saudável e afinal, desde quando vocês se preocupam tanto com a saúde alheia?? Porque a minha amiga bem magrinha, que comia frituras e doces diariamente e tinha colesterol alto, nunca ouviu ninguém falar que ela precisava se cuidar, que precisava cuidar da saúde.
Emagrecer não foi uma escolha minha, e ás vezes eu me sinto culpada por isso, as vezes acho que isso pode fazer de mim menos feminista, mas daí eu lembro que foi a sociedade que me empurrou pra aquela mesa de cirurgia. Quanto mais eu ouvia: ”nossa, você tá engordando, não faz isso, você é tão legal, seu rosto é tão bonito”, adivinhem: mais eu engordava. Ainda que uma gorda seja saudável, feliz, empoderada…vocês sempre arranjaram um jeito de em algum momento importuná-la com sua gordofobia.

Por fim eu queria dizer que é horrível emagrecer e ver como as pessoas te olham diferente, como te acham mais legais, como aquela pessoa que você sempre foi afim e nunca olhou na sua cara te manda mensagens te chamando pra sair, é horrível ver que o seu corpo vale mais do que você, vale mais do quê sua vida, vale mais do quê sua felicidade. Eu ainda estou longe da magreza, e estou bem assim, não me encham o saco e por favor parem de enfiar seus dedos nas gargantas de nossas mulheres pra que elas se encaixem nos padrões escrotos de vocês.

Por Barbara Quadros

 

Complemento que tenho nojo de qualquer olhar que sinta por mim, com nojo, duvida, estranheza, queria que as pessoas fossem mais acessíveis e se preocupassem em nos conhecer independente da cor, peso, credo e afins!